Capítulo 1 – Pesadelo
Tenho
que correr, eu não posso parar ou ele vai me alcançar. Apesar de não conseguir
ver seu rosto eu sinto que tenho que continuar correndo, fugindo para o mais
longe que puder dele. Uma voz baixa sussurra meu nome – Pedro – ela sopra
maleficamente, eu tenho certeza que coisa boa não é, porque não parece nada
sedutor, ao contrário é horripilante.
De repente, estou escondido
nas sombras, sinto meu coração batendo acelerado, consigo ouvir minha
respiração, mas também consigo ouvir o silêncio. Quando penso que finalmente o
despistei, o silêncio se quebra e algo me ataca, vindo do nada – acordo com meu
próprio grito, tremendo, encharcado de suor, tenso com o coração pulsante e ele
não desacelera, parece que ainda estou naquele beco sendo atacado por uma
criatura negra, cautelosa como uma sombra e arrebatadora como um tornado. Eu o
chamo de Fôlegos.
Isso
é bem comum pra mim, aliás, eu tenho esses pesadelos todas as noites desde...
bem desde sempre. É sempre a mesma criatura me perseguindo alucinadamente e o
final é sempre o mesmo, nunca muda, não importa o lugar, apenas vejo o vulto e
sou atacado. Fico sempre com a sensação que vou morrer. É estranho como nunca
reuni coragem para enfrentar o monstro no meu próprio sonho, nunca consegui
dominá-lo, antes sempre deixo o medo tomar conta das minhas ações e começo a
correr. Corro com todas as minhas
forças, me escondo e ele sempre me acha.
Normalmente
não consigo mais dormir depois disso, fico olhando para o relógio até a hora de
ir para escola. Exausto como sempre, tomo um banho para “acordar”, visto meu
uniforme escolar vermelho com três listras brancas adidas, como um biscoito ou
dois junto com um copo de achocolatado frio e vou para a escola.
Eu
moro com meus avós, Antônio e Catarina. Eles não são realmente meus avós de
sangue, na verdade eles me adotaram quando eu tinha apenas 2 anos. Chamo-os de avós porque eles preferem que
seja assim, afinal eles sempre me contaram que eu era adotado, que tinha pais
biológicos e sempre deixaram claro que não queriam substituir meus pais de
sangue. Além do fato de que eu tenho idade para ser neto deles, então parece
mais apropriado chamá-los assim. Eu fui à realização de um sonho para eles
porque eles perderam o único filho, Lucas, que tiveram em um acidente de moto há uns 30
anos atrás, e como ele não casou e não teve filhos, eles achavam que nunca
teriam um neto. Bem aqui estou eu, cumprindo esta tarefa mesmo sem o sangue
deles. Apesar disso levo o sobrenome da família, Gallo. Pedro Gallo, é assim que os professores me
chamam, ou meus avós quando estão brabos, o resto do mundo prefere “Vermelho”,
por conta do meu cabelo ruivo, um vermelho forte, vivo.
Sobre
meus pais biológicos eu não sei muita coisa, na verdade nunca consegui nenhuma
informação no orfanato, muito menos com meus avós, e sempre que toco nesse
assunto eles desconversam. Tenho muita vontade de descobrir quem são e o que
aconteceu para eu não estar com eles hoje. Eu só guardo um bilhete, que foi
deixado junto comigo, na porta do um lar adotivo, quando eu tinha menos de um
mês de vida, e que me dá esperança de um dia reencontrá-los.
Nascido
no último dia 7.
Esta
escolha não foi fácil, mas é a escolha certa.
No
momento certo, voltaremos para a vida dele.
Essa é a única coisa concreta que
eu sei sobre minhas origens, a data do meu nascimento: 07 de agosto, 15 anos
atrás.
Eu moro a uns cinco quarteirões da Escola, por
isso sigo caminhando sozinho e o tal sonho nunca sai da minha cabeça. Às vezes
fico matutando sobre o sonho, sobre o que significa eu sempre ter “esse”
pesadelo em especial. Eu fico me perguntando se não é algum trauma de infância
ou algo assim. Eu realmente não sei, nunca consegui concluir nada mesmo com
essa fixação na cabeça.
Hoje
é o primeiro dia de aula do ano letivo, então desço, tomo um achocolatado e
parto em direção à escola, que fica a uns 5 quarteirões da nossa casa. Vou
caminhando ainda pensando no maldito sonho que me atormenta toda a noite.
(CONTINUA...)
(CONTINUA...)
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